Um dia vamos. Um dia fazemos. Um dia. E os dias passavam. Um após outro, sempre a correr. O cansaço e o peso dos anos forçou-a a concluir que palmilhar ruas e sentir o pulsar de cidades longínquas, já não era tão aliciante. E a falta de vista, não lhe dava a paciência para encontrar alegria em imagens de pintores famosos já vistas, mil e uma vez, nos seus sonhos. E assim houve tanta coisa que gostaria de ter feito e não fez. Sítios onde gostaria de ter estadoe e não esteve. Momentos que gostaria de ter vivido e não viveu.
Sem perceber como, o dia transformou-se no dia em que ia acordar sem ele, ou ele sem ela. Só não sabendo qual dos dois partiria primeiro. E quando esse dia veio, segui-se-lhe outro, uma mera memória dos dias. Daqueles dias que pensara nada terem para lembrar. Daqueles dias, de que agora lhes sentia falta. Sem ter importância avaliar o que se perdeu ou o que se viveu. O dia em que apenas teria saudades dele.
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.
W. H. Auden